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Despedida de jornalista tem missa, cortejo e fala da viúva

Despedida de jornalista tem missa, cortejo e fala da viúva

10:12 | 14 fevereiro 2020
 

Cortejo pelas ruas de Ponta Porã e uma missa, marcaram a despedida do jornalista Lourenço Veras, o Léo, de 52 anos, no fim da tarde desta quinta-feira (13). Brasileiro, com cidadania paraguaia, ele foi enterrado no cemitério municipal da cidade sul-mato-grossense, que faz divisa com Pedro Juan Caballero – a cerca de 323 quilômetros de Campo Grande.

No fim da tarde de ontem, os anos de dedicação de Léo ao site Porã News foram homenageados por amigos e familiares em uma missa, que aconteceu em Pedro Juan Caballero, e em um cortejo pelas ruas de Ponta Porã até o Cemitério Municipal Cristo Rei, onde o pai dele também está enterrado.

Viúva de jornalista foi a primeira a ver homem armado e alertar.  “Amor!”. O chamado carinhoso para o marido, o jornalista Leo Veras, 52 anos, saiu em tom de alerta e foi a única reação de Cinthia González ao ver um homem armado e encapuzado invadir a casa da família, em Pedro Juan Caballero. Instantes depois, Veras foi executado.

Cinthia concedeu entrevista durante o velório, em funerária de Pedro Juan Caballero. O corpo de Veras será sepultado em Ponta Porã, no cemitério Cerro Corá, às 17 horas (horário de MS).

Cinthia disse que o marido estava terminado de jantar. Ela não viu quando o Jeep Cherokee branco chegou e parou em frente, mas foi a primeira a ver o homem descer da carroceria, armado. Após o chamado da esposa, Leo Veras se levantou, correu, mas foi atingido nas costas e na cabeça, caindo no corredor. Confusa pelo tiroteiro, Cinthia inicialmente achou que os homens haviam sequestrado o marido, mas foi o filho mais velho que encontrou o corpo do pai. “Aqui está ele”, disse para a mãe.

Há cerca de um mês, Cinthia lembra que Leo Veras estava mais quieto e parecia pensativo e preocupado, mas não chegou a contar a ela o que se passava. “Comigo ele não comentava muita coisa, sempre foi muito reservado”.

Na entrevista, Cinthia contou que Veras era procurado por jornalistas de vários países como fonte de informação sobre o que se passava na fronteira, principalmente, a ação do narcotráfico. A única coisa que pedia a ele, mas, nem sempre era atendida, é que ele não concedesse entrevista para televisão, mostrando o rosto.

“Como vou continuar?” questionou. A viúva disse que sente muito medo e não sabe como ficará na casa depois de tudo o que aconteceu. “Ele disse que ia fazer história na fronteira e ele fez”.

Leo Veras foi executado ontem à noite, em casa, em Pedro Juan Caballero. Com experiência de mais de 15 anos com site, era proprietário do Porã News e relatava as notícias da fronteira, costumeiramente ligada à violência, guerra do narcotráfico e mais, recentemente, a fuga de presos brasileiros e paraguaios de Pedro Juan Caballero.

Fonte: CGNews

Postado em: 10:12 | 14 fevereiro 2020
 
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