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Suspeito de maquiar ‘carne podre’, JBS domina setor com 22 unidades em MS

Suspeito de maquiar ‘carne podre’, JBS domina setor com 22 unidades em MS

Consultor vê riscos para setor, que é forte no Estado

9:32 | 18 março 2017
 

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (17) a maior operação da história da corporação, a carne fraca. O foco da investigação é apurar a venda ilegal de carne no país. Até onde foi apurado e divulgado para a imprensa, tem o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), nomes da política nacional e corporativas gigantes do ramo no Brasil. Uma delas é a JBS Foods. Presente em Mato Grosso do Sul de modo expressivo, a empresa atua em 9 cidades do Estado, com 22 unidades envolvendo desde confinamento até produtos de valor agregado.

A PF ainda não confirma a abrangência da operação em Mato Grosso do Sul, mas a reportagem apurou junto a policiais da Superintendência de Mato Grosso do Sul, e a carne fraca deve chegar ao Estado. De acordo com o que foi divulgado até agora pela operação, ao menos a JBS e a BRF são investigadas. A JBS atua, em Mato Grosso do Sul, na Capital, e em diversas regiões do Estado. Ela está presente em Anastácio, Caarapó, Cassilândia, Dourados, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Sindrolândia.

Economia pode ser afetada

Aldo Barrigosse é consultor em comércio exterior de Mato Grosso do Sul e explica que, ainda que as informações sejam preliminares e a investigação esteja em curso, a economia do Estado pode ser afetada. Mato Grosso do Sul é um dos maiores exportadores de carne do Brasil, ocupa a 6ª posição no ranking nacional. Aldo revelou que, só nos primeiros dois meses do ano, o setor lucrou R$ 72 milhões de dólares de venda de carne bovina in natura.

“Em realação ao setor como um todo, é um setor muito importante pra economia em Mato Grosso do Sul e certamente esse tipo de investigação abala toda a pecuária, não só a comercialização da carne, mas a compra também e pode ter impacto direto na economia do Estado. Elas são gigantes, são enormes, são as maiores abatedoras de bovinos. A pecuária é extremamente importante na particpalão do PIB [Produto Interno Bruto] aqui no Estado”, lembrou ele.

O consultor explica que o impacto pode abranger a cadeia econômica como um todo, dos consumidores aos centros exportadores do Brasil, como a Europa. A JBS Friboi compra 80% da carne produzida pela pecuária, a informação é do presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de MS), Jonatan Barbosa.

“Ela pode ter um grande impacto se tudo que é investigado for verídico. Se é um dos maiores exportadores, e está envolvido, isso abala toda a imagem da Instituição. Vai abalar a imagem sim, por ser um dos maiores empregadores, investidores e exportadores de carne. Pode causar uma diminuição do consumo desse produto produzido por essa marca que está envolvida no processo, as pessoas não vão ter credibilidade em consumir esse produto”, comenta.

Diversificação econômica

Mato Grosso do Sul, no entanto, tem diversificado a economia nos últimos anos. A pecuária deixou de ocupar posição central na economia, e a Mato Grosso do Sul deixou há anos o lugar de 2º maior exportador do Brasil, para 6º. Celulose e açúcar e alcool foram dois segmentos que cresceram nos últimos anos e ocuparam a lacuna. A diversificação pode ajudar o Estado caso a operação instale uma crise na imagem do produto brasileiro. É o que comentou o consultor.

“Essa queda tem relação direta com a diversificação da produção. A área destinada à pecuária diminuiu. Você diminui também o rebanho e diminui, por consequência, a quantidade de abate. Pelo Estado ter diversificado a economia isso é positivo porque você não tem uma concentração grande da atividade econômica em um único segmento. Hoje a gente tem outros segmentos que são importantes pra economia do Estado”, afirmou.

Ainda assim, Mato Grosso do Sul ainda tem na exportação de carne bovina e demais animais um ‘forte’. Só em 2016, de carne bovina in natura, o Estado lucrou R$ 423 milhões de dólares. Um dos grandes projetos anunciados pelo governo do Estado, o corredor bioceânico, tem objetivo de escoar a produção direto para o oceano pacífico, para os países asiáticos. A carne processada deve ser um dos produtos levados se a obra – que envolve pontes, estradas e portos – for, de fato, inaugurada.

O frigorífico da JBS em Coxim foi fechado no dia 1 de fevereiro. Imediatamente após o anúncio da empresa, por um impasse no contrato de aluguel, prefeitos de municípios da região norte que temiam fechamento de mais postos de empregos, procuraram apoio na Assembleia Legislativa e ouviram de representantes do governo a promessa de que o local não deverá permanecer fechado.

O que diz a JBS

Foi divulgado pela Imprensa que um dos locais visitados pelos policiais federais nessa manhã seria a sede da JBS e que executivos da empresa foram presos. A JBS negou a informação e disse que “não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação”.

“A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da Companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da Companhia, cedido ao Ministério da Agricultura”, explicou.

A empresa também afirmou que atua “em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas”.

“A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos”, complementou.

Operação
– Segundo a PF, a operação detectou em quase dois anos de investigação que as Superintendênciais Regionais do Ministério da Pesca e Agricultura do Estado do Paraná, Minas e Goiás ‘atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Uma reportagem do jornal Folha de São Paulo afirma que até o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB) está citado na investigação.

Segundo as investigações, o esquema no Paraná era comandado pelo ex-superintendente regional do Mapa, Daniel Gonçalves Filho, e pela chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Maria do Rocio Nascimento, que trabalham em Curitiba. Na casa do atual superintendente regional do Mapa, Gil Bueno, a polícia apreendeu R$ 65 mil nesta manhã. Os três são alvos de prisão preventiva.

Em nota, a PF informou que aproximadamente 1100 policiais federais estão cumprindo 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema.

Conforme publicado pelo jornal O Globo, o secretário-adjunto do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou na tarde desta sexta-feira que a população tem de ficar tranquila em relação à fraude da carne. Ele informou ainda que o órgão afastou 35 servidores envolvidos na fraude da carne, exposta pela Operação Carne Fraca. Serão abertos processos administrativos contra esses funcionários públicos.

Fonte : midiamax

Postado em: 9:32 | 18 março 2017
 
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